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ENCONTRO FINAL DE PROJETOS COMUNITÁRIOS CONFIRMA QUE ATUAÇÃO EM REDE É ESTRATÉGIA PARA DESENVOLVIMENTO SUSNTENTÁVEL E COMBATE À POBREZA

Atualizada ás 05/02/2018 17:02

Uma das lições deixadas pelo Encontro Fundo Comunidade em Rede é de que é possível superar a pobreza com a parceria entre fundações, institutos e empresas. O evento, que aconteceu entre os dias 21 e 23 de novembro, em Vitória (ES), apresentou os projetos desenvolvidos entre 2013 e 2016, com resultados positivos, principalmente, no fortalecimento de redes comunitárias para o crescimento sustentável. Eles foram financiados pelo Fundo Comunidade em Rede, iniciativa do Bloco Brasil da RedEAmérica e Fundação Interamericana (IAF).

Três projetos conseguiram criar identidades fortes, gerando impactos na comunidade em que atuaram, com políticas públicas e geração de renda: Bragança Articulada em Rede (Bragança Paulista, SP), Apicultura em Rede no Vale (Veredinha e Itamarandiba, MG) e RECOA – Rede Comunitária em Ação (Pedro Leopoldo, MG).  Outros dois geraram impactos na comunidade com aumento da autoestima, retomada da cidadania e da valorização do espaço comunitário, como o RioConhecimento (Vila Velha, ES) e Fala Comunidade em Ação (Bragança Paulista, SP), enquanto o Projeto Maré Alta (Ubatuba, SP) provocou impacto social.

Célia Ribeiro de Aguiar, diretora executiva do Instituto Arcor Brasil e responsável pelo convênio entre o Bloco Brasil da Rede América e IAF, exaltou a inovadora metodologia de investimento social privado. “Houve a possibilidade da construção de redes intersetoriais possibilitando parcerias muito próximas entre fundações, institutos e empresas, com organizações comunitárias de diferentes perfis e dinâmicas culturais. Foi um aprendizado contínuo e mútuo”.

Cecília Galvani, diretora do Instituto Lina Galvani e coordenadora do Bloco Brasil, disse que o encontro foi uma oportunidade para conhecer e viver de perto a riqueza da rede.

Sobre a iniciativa, a superintendente da FOCO, Ana Beatriz Roth, declarou: “O Fundo Comunidade em Rede foi uma estratégia bárbara que deu resultados excepcionais no quesito de articular lideranças para irem além de suas organizações com o olhar para questões de bem comum”.

Um dos pontos altos do encontro foi a visita in loco promovida pelo Grupo Comunidade em Ação, proponente do RioConhecimento, coordenado pela FOCO, com o objetivo de mostrar para os participantes a realidade dos moradores do entorno da bacia do Rio Aribiri. Eles puderam ver de perto o assoreamento do rio, a construção irregular de moradias, despejo de lixo e esgoto, muito mau cheiro, instabilidade das residências, entre outros problemas. “A expedição é uma ferramenta utilizada por nós para sensibilizar as pessoas. Nada melhor do que ver isso de perto”, explicou Geraldo Gomes, do Grupo Comunidade em Ação.

Outro momento marcante foi o debate sobre a importância dos diferentes setores — público, privado, educacional e terceiro setor — na articulação da rede para o desenvolvimento de comunidades sustentáveis. Estiveram presentes Júlio César Pompeu, secretário estadual de Direitos Humanos, Chander Freitas, gerente de Educação Ambiental do Iema, Elsa Freitas, representando a Log-In – Terminal de Vila Velha, Lilian Barros, da Companhia Portuária Vila Velha, Emerson Cesar Módolo, gerente de operações da Prysmian Cabos e Sistemas, Jefferson Cabral, diretor-executivo da Universidade Vila Velha (UVV), Geraldo Gomes, do Grupo Comunidade em Ação e Ana Paula Carvalho, coordenadora de programa da FOCO.

Para Julio Pompeu, secretário de Estado de Direitos Humanos do Espírito Santo, direcionar a responsabilidade de criar possibilidades de desenvolvimento econômico e social somente para o governo é abster-se do papel de protagonista. “Uma sociedade sustentável passa por este movimento, onde cada um, poder público e iniciativa privada se juntam para promover crescimento, desenvolvimento e inclusão”, afirmou.

Um dos problemas mais relatados pelos representantes das empresas investidoras foi a dificuldade de estar presente e conhecer de perto as dificuldades da comunidade onde atuam. Desafio superado pela CPVV após a contratação de uma consultoria, como destacou Lilian Barros, representante da empresa. “Com a consultoria conseguimos vencer essa barreira e ao longo dos anos de investimento o Grupo recebeu capacitação, fez expedições na Bacia do Rio Aribiri, conseguiu o engajamento de escolas públicas e privadas e de outras instituições sociais”, pontuou.

Célia Schlithler, consultora em desenvolvimento comunitário, elencou uma série de aprendizados a disseminar. Entre eles, a importância do respeito e valorização da cultura e história local, a relevância do envolvimento de pessoas que podem não estar tão presentes, mas que se sentem pertencentes à rede, a identificação de temas relevantes e mobilizadores para as comunidades, importância da comunicação assertiva, o desenvolvimento da autoestima e do empoderamento, quando acontece a escuta verdadeira do outro, com seus próprios saberes.

Para encerrar o evento, houve o depoimento inspirador da artesã carioca Ana Lúcia da Silva Franco, líder do grupo produtivo Fuxicarte, que integra a Rede Asta, um negócio social que tem a missão de ajudar a diminuir a desigualdade social brasileira. Ela conseguiu ascender socialmente através de um projeto social promovido pelo CIEDS (Centro Integrado de Estudos e Programas de Desenvolvimento Sustentável) e mudou de vida através da venda de almofadas de fuxico. Ela, que já viveu com os três filhos numa casa interditada pela defesa civil, atualmente mora num confortável apartamento e saiu da favela. “É importante passar para as pessoas que através de um curso em um projeto social, minha história mudou. Elas precisam saber que os projetos sociais dão frutos para que não deixem de investir. Eu morava em comunidade, hoje não moro mais. Junto comigo outras mulheres tiveram renda através do Fuxicarte”, falou, num belo momento de renovação das esperanças de que a aproximação entre investimento social privado e capital humano é o caminho para a construção de comunidades sustentáveis, inclusivas e mais felizes

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